31.8.06

Cortar a Direito

A desmistificação da direita é necessária, sem dúvida, mas não da forma como a apresentam.

Comprei a Atlântico e não me posso queixar do que hoje li pelo ‘oceano’. Quem adquire a revista, está desde logo prevenido quanto aos conteúdos. Mas não quero deixar de comentar tão inusitada e ofensiva memória do Integralismo Lusitano por parte de Rui Ramos no seu “Sobre Direitas Moles e Duras”.
O Integralismo constituiu-se como força de resistência, de reflexão séria sobre o sentido luso e de alternativa tradicionalista, católica e monárquica aos desvarios da 1ª república. Não se tratava de voltar atrás numa acção reaccionária, mas de não deixar morrer, pela mão do tal jacobinismo de que fala, a mais nobre definição de Portugal e do Homem. Talvez fosse duro o seu pensamento para intelectos espiritualmente moles. Talvez isso! Mas afirmar que era duro no sentido de ser o espelho do comunismo com nuances destras, numa resposta totalitária ao próprio totalitarismo, é remeter a discussão à conversa de café.
O Integralismo é a mais completa forma da Direita monárquica. Afinal, a verdadeira monarquia tinha morrido com o liberalismo. E quanto a António Sardinha ter se iludido com a república, deveu-se ao simples facto de sempre ter sido municipalista e de ter ingenuamente acreditado que o pós-1910 fosse uma boa solução provisória, como se do mal fosse o menos. Entendeu mais tarde, com a normalidade da sua honestidade intelectual, que só a Instituição Real poderia dar resposta satisfatória a essa visão integralista. Quem ler Almeida Braga, entende perfeitamente o que digo e não cairá certamente no disparate de comparar Sardinha a Mussolini.

Rui Ramos acerta no final: “a direita liberal está à direita porque não quer ser de esquerda”. Provavelmente, só por isso…

1 Comments:

At 10:03, Blogger Paulo Cunha Porto said...

Além de que, Caríssimo SA, advogando a erradicação dos partidos, que não a tomada do poder por um partido, não ficariam, desde logo, preenchidas as condições mínimas para qualquer sistema totalitário.
Abraço.

 

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