1.9.06

A minha independência

Fiquei radiante quando o tutor de estágio confirmou o meu desejo profundo: “Quanto ao seu pedido de ir para o Independente, falei com eles e mostraram-se bastante receptivos. Fica assente que vai para lá!” Ipsis Verbis.
Foi a loucura total naquela sala de aula. Esbocei um sorriso e vi o contentamento dos colegas que estavam comigo. Eu ia para o Indy!
No dia marcado, piquei o ponto na hora que me fora comunicada. Às 12h30 subi à redacção. Esperei um bom bocado, talvez duas horas ou mais, e o Leonardo Ralha nunca mais aparecia. Sentei-me na recepção, junto à telefonista, cigarro atrás de cigarro… até que apareceu a Inês Serra Lopes e vi uma possibilidade de escapar àquela entediante espera. “Então mas o rapaz está aqui há tanto tempo e ninguém fala com ele?”. Ela também não falou…
Depois de almoço voltei à Almirante Reis. Finalmente fui recebido, instruído, ambientado. Deram-me um computador da idade da pedra, uma secretária ampla junto às janelas, lado a lado com um estagiário de Coimbra. Fiquei na Sociedade.
O primeiro dia gastei-o a consultar os arquivos. Serviu para ter em mãos “capas” históricas, memoráveis! Dai por diante foi trabalhar.
Lancei uma única notícia naquelas páginas. Bastou? Talvez tenha sobrado. Chegar à banca, abrir o jornal e deparar-me com o meu texto, devidamente assinado, foi um dos pontos altos da minha vida académica. De lado ficaram inúmeras tentativas de execução jornalística que, desconfio, não passaram de testes. Mas que se lixe, adorei escreve-las! Adorei entrar durante trinta dias naquele templo da comunicação. Adorei! Afinal, era o jornal do Portas e, só por isso, uma honra ter assento na redacção.
Trouxe bons ensinamentos e o privilégio de ter conhecido a máquina do Indy! Pena este fim que me destrói a esperança de lá voltar.

3 Comments:

At 19:32, Blogger Luís Miguel Costa said...

Compreendo perfeitamente! Deve ter sido uma experiência extraordinária..

 
At 22:04, Blogger the_hammer said...

http://cl-hammer.blogspot.com

Visitem e comentem.

 
At 14:44, Blogger Paulo Cunha Porto said...

Meu Caro SA:
Passei, durante poucos meses, pelo suplemento de Cultura do mesmo jornal, durante o consulado de CCS. O facto de ter sido colega de faculdade de PP e ISL talvez não me permita uma tão grande veneração do que foi o jornal, pois ninguém é herói para o seu «valet de chambre». No entanto, este servidor que aqui Lhe escreve tem bem a noção das virtudes do jornal, que foi a quebra possível do consensualismo da geração, mais do que dos partidos, do Poder. E não falo dos títulos escandalosos do anti-Cavaquismo, alguns injustos, como se provou histórica e juridicamente. Refiro-me a um dom da marcação da agenda política, que se manteve até bastante tarde, bem como da cultura, essa sim, verdadeiramente alternativa que ofereceu.
Abraço.

 

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